A sociedade tão apegada a estereótipos e padrões caminha a passos lentos no que se refere a equidade e inclusão das pessoas com deficiência.

Mesmo que a causa seja apoiada por leis, tornam-se comuns os desafios que esta parte da nossa população enfrenta diariamente. Conforme o último censo do IBGE realizado em 2010, aproximadamente 45 milhões de brasileiros possuem algum tipo de deficiência, o que corresponde a 24% da população.

Diariamente as pessoas com deficiência precisam transpor muitas barreiras e frequentemente são discriminadas por terem seus direitos desrespeitados no convívio em sociedade. Acessibilidade física, como rampas e elevadores, torna ambientes favoráveis para locomoção de pessoas com mobilidade reduzida.

Acessibilidade tecnológica permite que pessoas com baixa visão ou cegas utilizem celulares e computadores com ajuda de softwares. Já na educação, os alunos com deficiência auditiva podem precisar de intérpretes de LIBRAS para quebra de barreira comunicacional.

Além da exclusão resultante das barreiras já citadas, a falta de cultura inclusiva, ou seja, barreiras atitudinais, expõe a população com deficiência às situações de constrangimento, decorrentes do despreparo da sociedade para se relacionar com as diferenças, limitações e possibilidades das pessoas com deficiências.

40% dos profissionais com deficiência que buscam oportunidades de emprego no site Vagas.com já sofreram discriminação no ambiente de trabalho, segundo pesquisa realizada pelo site em parceria com a consultoria Talento Incluir, em 2016 com a participação de 4.319 respondentes com deficiência.

De acordo com o relato da profissional com baixa visão, Herlândia Suster, a pior barreira, certamente, é o preconceito atitudinal.

“Trabalhei em uma empresa do segmento financeiro onde todas as minhas necessidades de acessibilidade tecnológica foram atendidas, como por exemplos software de aumento de tela e uma iluminação adequada à minha deficiência, em meu posto de trabalho. Pensei que a empresa estava preocupada e engajada para que minha inclusão acontecesse de fato, porém, a gestão estava totalmente despreparada no que diz respeito a relação humana, o que causou dificuldade para o meu relacionamento com a equipe. Eu era resumida como a deficiente visual da área, duvidavam da minha capacidade. Eu ocupava uma posição de Analista, porém, minhas atividades eram de baixíssima complexidade, não era convocada para as reuniões de equipe e a avaliação do meu desempenho era realizada sem dedicação para cumprir formalidades”.

Na situação de discriminação vivida pela Herlândia, a acessibilidade tecnológica foi atendida, mas não foi suficiente para que ela tivesse sido plenamente respeitada no ambiente de trabalho. Para conviver precisamos respeitar. Como podemos respeitar situações e condições que não conhecemos? Informação é o caminho para diminuir a distância entre as pessoas com deficiência e a sociedade. Segundo Carolina Ignarra, sócia-fundadora da Talento Incluir: “o preconceito é um comportamento inconsciente e inevitável que todos os seres humanos levam 1/20 de segundos para formar. Falar sobre diferenças recheia de possibilidades o mindset coletivo e torna o pré-julgamento mais aberto e livre de paradigmas”.

Discriminação, que é diferente de preconceito, também pode derivar da falta de informação, mas é um comportamento negativo, formado por um baixo nível de inteligência emocional, principalmente pela dificuldade de se colocar no lugar do outro, ou seja, ser empático. Para favorecer a igualdade das pessoas com deficiência na sociedade, atualmente discriminação é entendida como crime, previsto no ART.88 da Lei 13.146/15 (LBI – Lei Brasileira de Inclusão).

Incluir é uma ação consciente, que começa com o reconhecimento dos rótulos que nos fazem julgar equivocadamente as diferenças, evitando preconceito e discriminação.

A disponibilidade e o interesse em buscar informações são atitudes que concretizam a inclusão.

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